
O céu veio abaixo, acordei com o barulho do vento na fresta da janela, e ao abrir vi a escuridão de uma tarde clara, e o vento forte bagunçou o meu cabelo. Na varanda ouvi um som estranho, e me espantei com o que eu vi. Uma cigarra enorme cantando, um som de ensurdecer qualquer um. Ah quem diga que as cigarras morrem de tanto que cantam, isso se deve porque simplesmente elas "trocam de pele". Elaa cantam para passar por uma metamorfose, não aprofundando muito na Biologia, mas é como se elas nascessem novamente, tivessem uma nova forma, e estivessem pronta pra sair cantando o quanto quisessem. No espelho eu vejo um reflexo que me cansa, que está em mim já faz mais de anos, sei de cor cada detalhe, cada semblante, cada cara, eis de mudar. Deito na cama e fico mal em saber que os meus nervos estão à flor da pele, e que nem suco de maracujá me acalma mais, eis de mudar. Tento me fixar em tudo que é importante, prestar atenção por onde ando e pensar certo, eis de mudar. Creio eu que estou no caminho certo, e noto que a mudança é algo que te faz bem, ainda mais quando se é notada, quando além de você as pessoas sentem algo novo, jamais visto. Sinto-me como uma cigarra, em completa metamorfose, querendo de todo jeito deixar aquela pele velha para trás, e cantarei alto, não pra ser notada, mas para anunciar que algo novo está por vir.
