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Saí do trabalho e fui para faculdade como todos os dias da semana. Dentro do ônibus me bateu uma vontade louca de ler algo novo, não os livros de Filosofia e Teorias da comunicação, que eu simplesmente pelos estudos. E pensar que isso a essa altura é meio complicado, já que todo o dia tenho que ler algum texto diferente, aí os livros que realmente queremos ler ficam meio que encostados por falta de tempo. Aproveitei que cheguei cedo à faculdade, e fui até a livraria. Pedi o primeiro livro que me veio a cabeça e que a tempos eu gostaria de ter lido. Para Francisco de Cris Guerra. Pra minha surpresa lá tinha esse livro, surpresa porque muitas vezes já procurei mais nunca achava, e mais ainda, só tinha um exemplar disponível. Eu e o atendente ficamos cerca de 5 minutos procurando o livro – confesso que esse exercício de procurar um livro no meio de milhões me dá um desanimo enorme, e eu não consigo ler os nomes sem virar a cabeça de lado, o que me dava certo desconforto e enjoo. Meio que já desistindo tentei procurar mais uma vez, e lá estava o tal, todo escondido no meio de uns livros enormes, fiquei até feliz porque tinha sido eu que tinha achado. Agora sirvo pra trabalhar em uma livraria. Comprei e fiquei doida pra chegar à faculdade. No caminho fui lendo a capa, e já me apaixonei só pelo que ela escreveu. E me apaixonei por inteiro. A aula foi começando e eu simplesmente não conseguia parar de ler, minha amiga do lado vendo isso, perguntou o que eu estava lendo e contei a história bem resumida. Começamos a falar sobre o assunto e ela ficou com os olhos todo cheia de lágrimas. Ai então eu parei, deixei pra ler mais tarde. Chegando em casa, comi e tomei banho correndo só pra poder ler mais um pouquinho antes de dormir. Comecei a ler, e em cinco páginas meus olhos já estavam ardendo de tanto sono, mas eu estava tão vidrada que continuei lendo mesmo assim. Parei na metade do livro, exatamente na metade. Depois que deitei senti um turbilhão de sentimentos diferentes, eu sabia que aquilo iria mexer muito comigo. A vontade que eu tive foi de ligar pra todo mundo, só pra ouvir a voz mesmo, só pra dizer que gosto muito dessa pessoa, só pra deixar marcado o que eu sinto. O mundo é muito imprevisível. E é disso que eu tanto tenho medo. Lembrei-me do que ele disse pra mim um dia: Tudo tem um fim, e eu não gosto disso. Nem eu. E que aperto no coração que me deu. Chorei por não saber se em todo esse tempo eu tivesse dito tudo o que as pessoas precisavam saber. Transparecer-me a elas, e viver todos os dias possíveis. Deixar que os finais fossem pra mais tarde, e se possível que nunca terminassem. Eu sempre fui medrosa e o medo de perder alguém muito próximo sempre me doí, e sem dó. O término de tudo me bate uma tristeza, seja de um namoro, de uma festa que foi muito divertida, de um bom show, ou de uma boa companhia. Mas o que a Cris Guerra fala ao seu filho sobre a perda que consequentemente vem acompanhada pela saudade é mais do que certo: Essas coisas são a certeza de que já vivemos e que fomos muito felizes. Eu concordei.

Coisas que aprendi em uma semana


A sorte definitivamente não anda lado a lado comigo.
Receber uma má notícia em plena segunda feira acaba com o resto da sua semana.
Decepção é pior que sentir raiva.
E sentir raiva causa muita dor de cabeça.
Andar na rua xingando Deus e o mundo alivia, e muito.
Querer jogar tudo pro alto não é a melhor opção.
Se calar também não.
Ouvir poucas palavras dos pais conforta mais que qualquer coisa no mundo.
Dos amigos mais ainda.
E saber que posso contar com a ajuda de muita gente é bom igual receber um abraço.
Pra mim ver borboletas sempre foi um sinal de sorte.
E hoje eu ainda ví duas,
Será que a sorte vai chegar pra mim em dose dupla? Será?

Fica aqui

Eu gostaria de não ter ouvido nada. Por miléssimos de segundos vivencei novamente o aperto no coração que senti por ano.
Não quero nunca mais sentir isso.
Ir embora dói demais, fica aqui.

Amor pronto


Tudo amor pronto, daqueles que você namora pela vitrine, compra, usa o quanto pode, e depois de um tempo deixa-o na mesa do bar, e nunca mais o tem novamente. É assim aos meus olhos o amor pronto. Difícil de explicar mas pra mim é aquele que em poucos dias com a outra pessoa você abre a boca e fala coisas que não são ditas assim tão cedo. E ao dizer certas coisas, você está enganando a sí mesma. Talvez não, embora para algumas pessoas isso possa realmente acontecer. No caso falo de um amor platônico, ou uma loucura de amor em um final de semana. Não digo que isso nunca vá acontecer comigo, mas acho improvável. Vou de acordo com ritmo, devagar, mansa, descobrindo a cada dia algo novo para amar. E pode ser qualquer coisa, um bom dia, um abraço, uma gentileza, uma brincadeira. Acho saudável assim, é mais simples e puro. Dizer aos poucos, cria no outro uma expectativa boa, uma vontade de saber mais, como se fosse um recém-nascido que a cada dia descobre algo novo no seu corpo, nesse caso me refiro ao coração. Voltaria no tempo para vivenciar de novo a primeira vez, mas se não é possível, o segredo é fazer de tudo uma primeira vez, e relembrar sempre desses momentos é uma medida infalível para não cair na rotina. Ao amor pronto tenho meus medos, pois o bem que se tem muita das vezes é passageiro, logo o sofrimento é muito pior, a queda doí. Mas quem sou eu pra falar, qualificar, certificar e rotular algo tão mutável, tão particular e extraordinário? Isso é somente uma inquietação com as palavras, algo que eu vejo e sempre quis expor para que alguém veja e possa pelo menos se identificar com um pouco. O que sei é que eu estou construindo meu amor, falta uma coisinha aqui, outra ali, mas eu sei que com o tempo eu vou terminar, e se terminar eu começo de novo, do mesmo lugar, pra nunca perder o ritmo.

Aperto

Meu olhos ardiam pela raiva, e eu me segurava para não transparecer nada. Sabia que se eu a olhasse diretamente iria ver com clareza o que estava acontecendo. Fiquei na dúvida se tiveras ou não notado. No fundo queria ver sua reação. Mas por outro lado queria me poupar de fazer um papel ridículo na frente de outras pessoas. E não é de hoje que isso será diferente. Eu omito mais não falo, me calo e assim fico. O ar fica pesado, o olhar deixa de ser transparente, e o toque é seco e frio. Faço um esforço enorme pra que tudo corra perfeitamente bem, e as vezes me vejo andando contra o vento. Eu estou aprendendo com o tempo, que tudo se torna complicado demais quando você imagina que tudo na sua vida é perfeito demais.

A Última Vez Que Eu Te Vi


A primeira vez que eu te vi
Eu tentei muito queimar meus olhos
A vida não era nada mais que um sonho triste
Eu não era nada mais que uma respitação triste
Mas você era algo parecido com areia
Quando a luz do sol bate no mar

A segunda vez que eu te vi
Eu estava prestes a pegar a estrada
Perguntei se você esperaria por mim
Você disse que a vida não era uma rodovia
Melhor se tivéssemos nascido
Como um pássaros cantadores siamêses

A terceira vez que eu te vi
Fomos no zoológico
Todas as cervejas quentes, os tristonhos macacos.
Grandes olhos sorrindo
Queria não ter segurado suas mãos

A quarta vez que eu te vi
Era como se eu fosse morrer
Eu estava esperando lá fora
Você simplesmente tinha um novo cara
Me perguntou porque, eu... Eu...

Filho, você não vem junto?
Não temos tempo para outra musica
Filho, você não vai cantar junto?
Nós não temos nenhum mar, criança.

A quinta vez que eu te vi
Ele estava viajando no exterior
E seus olhos, eles não estavam aqui.
Você simplesmente fez novos amigos
Enquanto eu tentava parar com os cigarros.

A sexta vez que eu te vi
Eu estava apropriadamente insano
Pelo whisky que tinha bebido
As drogas que havia tomado
Dê-me apenas uma chance e você vai perceber

A sétima vez que eu te vi
Você havia casado de novo
Se eu tivesse te beijado alguma vez
As coisas não seriam da mesma forma
Certamente o céu seria diferente

A oitava vez que eu te vi
Eu estava dedilhando a guitarra
E seus ouvidos não eram para mim
Meus ouvidos estavam sangrando
O garçom estava cego
Por favor, alguém cegue meus olhos.

A ultima vez que eu te vi
Era aproximadamente seis da manhã
Você se aproximou de mim em um carro estranho
Finalmente me beijou
Então acenou um adeus
Antes de você desaparecer

Às vezes eu sofro, querida.
Ou não estou forte o bastante para levantar
Mas os dias, eles simplesmente me afogam.
Voltando do trabalho
Tomando café azedo
Enjoado desde o seu peito

Vanguart - The last time i saw you (Tradução)



Me encantei, totalmente.

Porto


Sinto que alguma coisa me avistou, lá de longe, bem no fim da imensidão. Na eterna alucinação que me encontrava não fui capaz de perceber que estava bem ao meu lado. Continuei seguindo. Fui vagando sem saber por onde ia, fui descobrindo novos caminhos e novas paisagens. Por dias e dias eu só tinha a mim de companhia, de vez em quando algum ser de assas interruptas que vinha só de passagem. Às vezes de noite eu parava e ficava olhando o céu, imaginando se alguém lá de cima poderia me avistar, ou pelo menos me escutar. Eu pedia demais. Sem mesmo nenhum sinal continuei seguindo. Fui guiada pelo sol. Me lembrei de tudo que já tinha ouvido sobre sobrevivência, mas quase nada adiantou. Mas não há nenhum desespero que dure para sempre, uma hora tudo se acalma. E eu depois de dias, semanas, meses, anos retornei. Minha incessante viagem chegou ao fim. E eu finalmente pude descansar. Eu encontrei meu porto.