Amor pronto


Tudo amor pronto, daqueles que você namora pela vitrine, compra, usa o quanto pode, e depois de um tempo deixa-o na mesa do bar, e nunca mais o tem novamente. É assim aos meus olhos o amor pronto. Difícil de explicar mas pra mim é aquele que em poucos dias com a outra pessoa você abre a boca e fala coisas que não são ditas assim tão cedo. E ao dizer certas coisas, você está enganando a sí mesma. Talvez não, embora para algumas pessoas isso possa realmente acontecer. No caso falo de um amor platônico, ou uma loucura de amor em um final de semana. Não digo que isso nunca vá acontecer comigo, mas acho improvável. Vou de acordo com ritmo, devagar, mansa, descobrindo a cada dia algo novo para amar. E pode ser qualquer coisa, um bom dia, um abraço, uma gentileza, uma brincadeira. Acho saudável assim, é mais simples e puro. Dizer aos poucos, cria no outro uma expectativa boa, uma vontade de saber mais, como se fosse um recém-nascido que a cada dia descobre algo novo no seu corpo, nesse caso me refiro ao coração. Voltaria no tempo para vivenciar de novo a primeira vez, mas se não é possível, o segredo é fazer de tudo uma primeira vez, e relembrar sempre desses momentos é uma medida infalível para não cair na rotina. Ao amor pronto tenho meus medos, pois o bem que se tem muita das vezes é passageiro, logo o sofrimento é muito pior, a queda doí. Mas quem sou eu pra falar, qualificar, certificar e rotular algo tão mutável, tão particular e extraordinário? Isso é somente uma inquietação com as palavras, algo que eu vejo e sempre quis expor para que alguém veja e possa pelo menos se identificar com um pouco. O que sei é que eu estou construindo meu amor, falta uma coisinha aqui, outra ali, mas eu sei que com o tempo eu vou terminar, e se terminar eu começo de novo, do mesmo lugar, pra nunca perder o ritmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário